Amora no LP

In Vitro - 20Set2020 15:47:03

Passeia, enquanto durmo, no sertão do meu corpo
- onde borboletas douradas nunca estiveram.
Passeia e vê o sal, a poesia desidratada,
toca o árido com teus dedos de neve.

Deixa o silêncio cintilar no meu sangue agreste
- não faz alarde do teu desamor.

Beija-me do ventre o fogo, sem qualquer palavra;
planta a tua flor no meu sonho
e torna-te chuva dentro de mim.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=294758

Dominical - 20Set2020 15:47:03

Longe de ti é um domingo a minha vida:
os carros espreguiçando no asfalto,
as palmeiras em silêncio na avenida;
a praça despida de seu alvoroço,
edifícios descascados pelo ontem,
a igreja se fechando pro almoço.

Comerciantes em lojas fechadas
aumentam o preço da segunda-feira
e essa maldita lembrança tua
arruinando a semana inteira.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292490

pequena apresentação amorosa - 20Set2020 15:47:03

Essa que me olha do espelho
tendo minha pele como vestuário;
corajosa em ver-me os avessos,
em entender-me os excessos,
como se controlasse - em meu nome -
o desfecho de todas as coisas.

Essa que pensa por mim
enquanto titubeio,
que me perdoa os delitos pueris
como se tivesse poder
sobre o cavalgar incessante das horas.

Essa que me biparte as dores
para tornar mais suaves
o ocaso e o amanhecer;
que me vê a face mais profunda
e ainda assim me sorri,
que a mim dedica um pensamento doce
quando tudo o mais é silêncio e escuridão.

É essa, amado, a mulher que é tua!


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292065

poeira - 20Set2020 15:47:03

soube a areia
fustigada pelo vento
do meu corpo em arrepio
por teus dedos explorado

previu o deleite abissal
da carne impoluta
do meu ventre lacerado
na miragem avermelhada
de encontrar o peso teu

e tão logo as sombras do gozo
nos entrelaçaram
fomos os dois o suspiro prandial
da noite desértica

( tempestades breves
que nos cegaram os olhos
esses momentos extremos
que jamais provamos )


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291759

Previsão - 20Set2020 15:47:03

Teus olhos brancos d?água
postos no meu vestido
ainda na vitrine
e as correntes marítimas
no mesmo curso milenar.


Pesando em mim
um amor vermelho,
essa dor que guardei
pra sentir amanhã.


Amanhã não me cortarei os pulsos;
mas beberei do teu vinho quente,
num quase morrer.


Depois, nós dois em atonia
dividindo um carlton.


E o mundo
- pelo que consta aqui nos meus arquivos ?
sem nos dar qualquer importância.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291660

Devoção - 20Set2020 15:47:03


Aos poucos o silêncio
fez desvanecer a palavra Amor
escrita no lado esquerdo
do caminho.

Fez em fumaça
as poucas sílabas
que sonhavam
contentamentos,
apagou as jovens chamas
dos fonemas.

Ausente o verbo,
eu ainda devota,
ajoelho-me
aos pés da letra.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290515

Verdade - 20Set2020 15:47:03

De todos os fenômenos destruidores de afeto,
a mentira é o mais eficaz.











porque hoje ( sempre ) é o dia dela

Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290411

Se eu fosse uma palavra - 20Set2020 15:47:03

se eu fosse uma palavra
eu me faria ave
e voaria...

seria eu objeto
aos desejos que saltam
das tuas chagas abertas,
às fantasias pagãs
que nascem e morrem
em teus lábios poetas.

sim,
eu me faria ave;

em tuas mãos vazias
pousaria branca e nua
e seria o meu corpo
uma inspiração só tua.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290308

Memorial de outono - 20Set2020 15:47:03

É teu esse poema de outono,
ao golpe do vento entregue,
igual a outros perdidos
nas alamedas cinzentas
do meu coração de papel.



São tuas essas palavras incertas
que avançam em espiral
por sobre o frio da manhã;
que gemem, clandestinas,
no porão do dia a dia;
pobres mãos que te afagam,
pobres lábios que te ofendem a pele,
pobres olhos que oscilam, perplexos,
entre o teu nome e o fogo.



São teus os silêncios descritos
pelo amarelo da palha,
paisagem de mesmice e mel
na penumbra que rege
o meu calendário de dor.



Vê, amado, o voo das naves
vazias de afeto,
de estranhos pensares,
repletas de tudo
que ainda não sou eu.



Vê, amado, esse poema de outono
que canta a tristeza frutal
dos meus desejos perdidos
e o redemoinho que passa
levando embora o nosso amor.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=289882

Vertigem - 20Set2020 15:47:03

Sim, hei de amar-te com a aflição dos sôfregos,
meu coração liberto do declive das horas,
meus olhos mergulhados na tua vontade,
meus gemidos de ópio derramados
por sobre a laje fria da cidade.


E hei de ver-te as mãos em atonia,
a boca perplexa e o espírito rijo,
ruas arteriais em seu curso vermelho
sob a vertigem que emoldura a febre
dos nossos corpos no espelho.


Assim hei de seguir a procissão dos fracos,
meus sonhos inscritos nas tuas bandeiras,
minha carne exposta à tua impaciência,
o sal de nós dois incendiando a noite
no oitavo andar dessa consciência.


Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=289526

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