Amora no LP
In Vitro - 20Set2020 15:46:49
Passeia, enquanto durmo, no sertão do meu corpo- onde borboletas douradas nunca estiveram.
Passeia e vê o sal, a poesia desidratada,
toca o árido com teus dedos de neve.
Deixa o silêncio cintilar no meu sangue agreste
- não faz alarde do teu desamor.
Beija-me do ventre o fogo, sem qualquer palavra;
planta a tua flor no meu sonho
e torna-te chuva dentro de mim.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=294758
Dominical - 20Set2020 15:46:49
Longe de ti é um domingo a minha vida:os carros espreguiçando no asfalto,
as palmeiras em silêncio na avenida;
a praça despida de seu alvoroço,
edifícios descascados pelo ontem,
a igreja se fechando pro almoço.
Comerciantes em lojas fechadas
aumentam o preço da segunda-feira
e essa maldita lembrança tua
arruinando a semana inteira.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292490
pequena apresentação amorosa - 20Set2020 15:46:49
Essa que me olha do espelhotendo minha pele como vestuário;
corajosa em ver-me os avessos,
em entender-me os excessos,
como se controlasse - em meu nome -
o desfecho de todas as coisas.
Essa que pensa por mim
enquanto titubeio,
que me perdoa os delitos pueris
como se tivesse poder
sobre o cavalgar incessante das horas.
Essa que me biparte as dores
para tornar mais suaves
o ocaso e o amanhecer;
que me vê a face mais profunda
e ainda assim me sorri,
que a mim dedica um pensamento doce
quando tudo o mais é silêncio e escuridão.
É essa, amado, a mulher que é tua!
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=292065
poeira - 20Set2020 15:46:49
soube a areiafustigada pelo vento
do meu corpo em arrepio
por teus dedos explorado
previu o deleite abissal
da carne impoluta
do meu ventre lacerado
na miragem avermelhada
de encontrar o peso teu
e tão logo as sombras do gozo
nos entrelaçaram
fomos os dois o suspiro prandial
da noite desértica
( tempestades breves
que nos cegaram os olhos
esses momentos extremos
que jamais provamos )
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291759
Previsão - 20Set2020 15:46:49
Teus olhos brancos d?águapostos no meu vestido
ainda na vitrine
e as correntes marítimas
no mesmo curso milenar.
Pesando em mim
um amor vermelho,
essa dor que guardei
pra sentir amanhã.
Amanhã não me cortarei os pulsos;
mas beberei do teu vinho quente,
num quase morrer.
Depois, nós dois em atonia
dividindo um carlton.
E o mundo
- pelo que consta aqui nos meus arquivos ?
sem nos dar qualquer importância.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=291660
Devoção - 20Set2020 15:46:49
Aos poucos o silêncio
fez desvanecer a palavra Amor
escrita no lado esquerdo
do caminho.
Fez em fumaça
as poucas sílabas
que sonhavam
contentamentos,
apagou as jovens chamas
dos fonemas.
Ausente o verbo,
eu ainda devota,
ajoelho-me
aos pés da letra.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290515
Verdade - 20Set2020 15:46:49
De todos os fenômenos destruidores de afeto,a mentira é o mais eficaz.
porque hoje ( sempre ) é o dia dela
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290411
Se eu fosse uma palavra - 20Set2020 15:46:49
se eu fosse uma palavraeu me faria ave
e voaria...
seria eu objeto
aos desejos que saltam
das tuas chagas abertas,
às fantasias pagãs
que nascem e morrem
em teus lábios poetas.
sim,
eu me faria ave;
em tuas mãos vazias
pousaria branca e nua
e seria o meu corpo
uma inspiração só tua.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=290308
Memorial de outono - 20Set2020 15:46:49
É teu esse poema de outono,ao golpe do vento entregue,
igual a outros perdidos
nas alamedas cinzentas
do meu coração de papel.
São tuas essas palavras incertas
que avançam em espiral
por sobre o frio da manhã;
que gemem, clandestinas,
no porão do dia a dia;
pobres mãos que te afagam,
pobres lábios que te ofendem a pele,
pobres olhos que oscilam, perplexos,
entre o teu nome e o fogo.
São teus os silêncios descritos
pelo amarelo da palha,
paisagem de mesmice e mel
na penumbra que rege
o meu calendário de dor.
Vê, amado, o voo das naves
vazias de afeto,
de estranhos pensares,
repletas de tudo
que ainda não sou eu.
Vê, amado, esse poema de outono
que canta a tristeza frutal
dos meus desejos perdidos
e o redemoinho que passa
levando embora o nosso amor.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=289882
Vertigem - 20Set2020 15:46:49
Sim, hei de amar-te com a aflição dos sôfregos,meu coração liberto do declive das horas,
meus olhos mergulhados na tua vontade,
meus gemidos de ópio derramados
por sobre a laje fria da cidade.
E hei de ver-te as mãos em atonia,
a boca perplexa e o espírito rijo,
ruas arteriais em seu curso vermelho
sob a vertigem que emoldura a febre
dos nossos corpos no espelho.
Assim hei de seguir a procissão dos fracos,
meus sonhos inscritos nas tuas bandeiras,
minha carne exposta à tua impaciência,
o sal de nós dois incendiando a noite
no oitavo andar dessa consciência.
Fonte: https://www.luso-poemas.net/modules/news/article.php?storyid=289526
